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Saúde e condições de vida no Trânsito

Saúde e condições de vida no Trânsito

A partir da década de oitenta ocorreu um aumento da taxa de mortalidade por causas externas, que passou a representar a segunda causa de morte no Brasil. Os acidentes de trânsito e os homicídios foram os maiores responsáveis pelo aumento. Quanto aos acidentes de trânsito é destaque o aumento do número de acidentes com motocicletas, dado ao fato de ser um veículo ágil, econômico e de custo reduzido 1-2.

Zerbine e colaboradores 3 descrevem que nos anos sessenta iniciou-se o investimento das fábricas japonesas na comercialização de motocicletas no mercado brasileiro, que seguiu um modelo de sucesso no âmbito mundial. Como consequência, nos anos noventa o uso da motocicleta aumentou devido ao incremento da produção nacional e estímulos econômicos do governo para a venda e compra deste tipo de veículo. Segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (ABRACICLO) o ano de 2011 representou um recorde de vendas de motocicletas, com destaque para a Região Nordeste 4.

Informações do Departamento Nacional de Trânsito 5 mostraram que, no ano de 2011, o Brasil registrou uma frota de 69.047.967 veículos e destes 15.157.783 (21,95%) eram motocicletas. A Região Sudeste apresentou o maior número de motocicletas (6.283.917), seguida pela Região Nordeste (3.822.763). Segundo dados do Ministério da Saúde, 9.268 motociclistas traumatizados em acidentes de trânsito morreram no ano de 2009, sendo que o Estado de São Paulo apresentou o maior número de óbitos, 1.490; seguido pelo Estado de Minas Gerais com 668 mortes 6.

O aumento da probabilidade de envolvimento em acidentes contribue para a vulnerabilidade dos motociclistas 7. Os traumas decorrentes desses acidentes, em geral politramautismos, resultam em leitos cirúrgicos e unidades de terapia intensiva ocupadas por um longo período de tempo, que acarreta o aumento no tempo para a liberação de leitos para outras internações. Assim, os recursos destinados para a cobertura das despesas de uma internação destas vítimas diminuim a possibilidade de gastos com diversas patologias 3.

 

  1. Santos AMR, Moura MEB, Nunes BMVT, Leal CFS, Teles JBM. Perfil das vítimas de trauma por acidentes de motos atendidas em um serviço público de emergência. Cadernos de Saúde Pública. 2008;24(8):1927-38.
  2. Figueiredo LMB, Andrade SM, Silva DW, Soares DA. Comportamentos no trânsito e ocorrência de acidentes motociclísticos entre funcionários de um hospital universitário. Revista Espaço para a Saúde. 2005;7(1):46-52.
  3. Zerbini T, Ferreira MS, Leyton V, Muñoz DR. O impacto do atendimento às vítimas de acidentes de motocicleta na rotina do Pronto Socorro do Hospital das Clínicas da USP. Revista Saúde, Ética & Justiça. 2009;14(1):26-31.
  4. Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas. Dados do setor. [homepage na internet]. [Acesso em: 07/12/2015] Disponível em: http://abraciclo.com.br/index.php?option=com_content&view=category&layout=blog&id=21&Itemid=37